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Francisco Cadaval

Depois de lançar “What’s The Time Mr. Wolf?” em 17 de abril de 2007 e encantar os mais refinados e exigentes ouvidos, a banda britânica THE NOISETTES não só recauchuta o armário musical como simplesmente troca toda a roupa. O novo CD, que já desponta entre os mais tocados na Europa, evidencia a procura pela vertente pop e sepulta o rótulo de banda de rock.

Em “Wild Young Hearts”, o bom gosto musical e o cuidado nos arranjos continua sendo primoroso, o que faz desse álbum um contagiante disco que, por vezes, troca riffs de guitarra por teclados e prioriza o bonitinho em detrimento do visceral. Uma das principais conseqüências da mudança é notada na cantora Shoniwa. Em alguns momentos ela abre mão de gemidos jazzísticos e de gritos rockeiros, para dar um tom mais aveludado a canções já cheias de carisma. Em verdade, é um disco pronto e embalado para consumo. As belas canções “Never Forget You” e “Don’t Upset The Rhythm” são um convite para baladas enquanto “Every Now And Then” faz imaginar a cena clássica do casal que dança a luz baixa, rosto colado e iluminados por jogo de espelhos que formam bolinhas nas paredes.

Não posso negar um certo desapontamento. Não que “Wild Young Hearts” seja ruim. Muito pelo contrário. É um dos melhores discos de pop que ouvi nos últimos tempos e passa a ter lugar cativo nos playlists do meu computador e do meu celular. O que me deixa um tanto chateado é a não persistência em um estilo realmente novo. O grande diferencial de “What’s The Time Mr. Wolf?” foi justamente encontrar a simbiose perfeita entre punck, funck, indie rock e a linda e negramente arrebatadora voz de Shoniwa. O risco agora é que THE NOISETTES torne-se apenas mais uma, entre as tantas bandas pop que estão por aí.

Que a mudança tem gerado bons frutos, no que se refere a espaço na mídia e popularidade, não há dúvida, no entanto, gostaria que a transformação fosse menos radical, afinal, mudar nem sempre significa melhorar. Torço para que a camaleônica THE NOISETTES tenha vida longa e que nos próximos trabalhos não abandone suas raízes punk, funk e rock. Ainda que possa agradar um pouco menos.

Francisco Cadaval

O tempo das Tribos está aí. Se a paisagem da década de quarenta trazia de forma garantida ternos e chapéus marrons e pretos, mulheres com vestidos rodados e cabelos armados de maneira a intrigar a física. A contemporaneidade nos sugere o diverso. A aldeia ficou pequena para o desejo de todos os índios e a sociedade se segmentou em diversas tribos capazes de explorar e criar novos espaços e ditar tendências. Tal desenvolvimento influenciou tanto os mercados de moda quanto os de música e a elaboração de produtos que vinculem uma coisa na outra se tornou inevitável.

Músicos conhecidos do grande público e idolatrados por seus fãs perceberam que associar suas marcas musicais a roupas, seria, além de lucrativo, uma excelente estratégia de marketing pessoal. O mais interessante desse processo, é que são justamente os artistas mais engajados em criar uma imagem contestadora e subversiva que estão ditando moda nas passarelas mundo afora.

Na etimologia, a palavra moda é originária do Francês mode, e representa o uso, hábito ou estilo geralmente aceito pelo meio em que o indivíduo está associado. Ela está relacionada a evolução da burguesia ao poder econômico, favorecendo o desejo de reconhecimento social e ao mesmo tempo as crescentes tendências de imitação da nobreza. Não é por nada que geralmente está ligada a futilidade e a razões de consumo mais frívolas.

Músicos de origens musicais contestadoras, como o metal, Rap e Rock encabeçam a lista dos mais bem sucedidos. A Rocawear, marca do rapper Jay-Z, tem faturamento anual médio de cerca de 700 milhões de dólares. No Brasil Igor Cavalera, Marcelo D2 e Chorão já garantiram seu espaço.
Recentemente Liam Gallagher fez o lançamento mundial da Pretty Green, com direito a promoção isentando taxa de entrega e forte inserção na mídia.

A título de curiosidade, o rapper norte-americano Snoop Dogg desde 2007 assina a marca de roupas para cachorro The Snoop Dogg Line.

A lista de músicos/estilistas é longa. Aí vai uma pequena amostra.

Madonna
Matt Sorum, ex-baterista do Guns N’ Roses e atual Velvet Revolver
Ronnie Wood, guitarrista dos Rolling Stones
Albert Hammond Jr, guitarrista dos Strokes
Lenny Kravitz