VideoBar, Lima e Silva 449
CurtaVideo, Bento Gonçalves 619
 

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Dica em DVD:

por Milton Morales*

 

O filme que destaco foi pouco comentado, na minha opinião…  ele trata de um importante evento político da história americana, o que naturalmente pode tirar o interesse das pessoas das demais nações, mas mesmo assim conta uma parte muito particular desse evento, e de forma primorosa… o filme em questão é FROST/NIXON.

 

FROST/NIXON, como todo filme de cunho histórico, é daquele tipo que grande parte das pessoas que o assistem sabem como ele termina, o que não significa que este  filme tenha perdas por isso. Situado historicamente três anos depois da renúncia de Nixon, por conta do escândalo Watergate, a produção mostra os bastidores da entrevista dada por Richard Nixon ao improvável David Frost, um apresentador de programas de entretenimento com fama de mulherengo e fútil.

 

O ex-presidente  aceita falar após o Watergate, tendo em vista dois fatores: Frost aceita todas as suas exigências,  e  porque em sendo o enrevistador menos qualificado que outros, poderia Nixon manipular a entrevista a seu favor.

 

FROST/NIXON tem grandes momentos, sem dúvida alguma. O diretor Ron Howard conduz muito bem toda a trama. Michael Sheen está ótimo como David Frost… mas, desculpem-me, é Frank Langella, que revive Richard Nixon, quem rouba a cena.  Na minha opinião, essa foi a melhor interpretação dos indicados aos OSCAR 2009 de melhor ator.

 

Sean Penn (ganhador do Oscar) está muito bem em Milk, muito embora eu ache que a atuação dele foi um pouco apelativa e dentro dos “parâmetros do Oscar”. Mas, ao meu ver, Langella está acima. Duvido que depois de assistir esse filme alguém consiga imaginar outra pessoa interpretando Nixon. A atuação é tão convincente que te faz crer que ele é o próprio. enfim, o filme é muito bom, daqueles geralmente desvalorizados, sem que seja possível entender o porque.  De resto, amigos, bom filme e até a próxima… Abraços!

 

*Milton Morales é nosso colaborador e guitarista da banda AuditivA.

 

Para locar FROST/NIXON é só passar no VIDEO BAR – Lima e Silva 449

 

*Por: Anamaria Légori


O filme Coco antes de Chanel conta a história de Gabrielle (aka Coco) Chanel, antes de se tornar um ícone mundial da moda.

De uma maneira discreta, o filme procura mostrar o estilo de vestir particular de Coco Chanel e a estranheza que ela causava diante da sociedade.

Ela viveu quase toda a sua infância em um orfanato e já nessa parte do filme a moda faz parte do contexto. Nos anos 20, as cores fortes e vibrantes eram usadas por pessoas ricas, portanto as meninas ricas do orfanato usavam vermelho, enquanto as demais usavam preto.

Coco fazia chapéus, mas estava insatisfeita com as vestimentas e os comportamentos da época. Coco usava roupas com cortes retos, um estilo que ao momento era só masculino. Optava sempre pelos tons neutros e pastéis, além de usar camisas e calças. Muitas cenas do filme mostram o quanto essas roupas eram práticas e confortáveis, em comparação com os vestidos mega volumosos e as plumas usadas pelas mulheres da época.



Em uma cena na praia, mostra a inspiração dela nas roupas listradas de branco, vermelho e azul dos marinheiros e, que se torna, mais tarde, o que chamamos hoje de estilo navy – elegante e tradicional – que sempre aparece no meio das coleções (cruise collections).



Nem mesmo quando ela pode escolher o seu primeiro vestido de festa ela foge do seu estilo. Enquanto as demais mulheres fazem parte da silhueta em V invertido e usam cores claras, Coco escolhe um vestido preto, com linhas retas, mais funcional, mas não menos sensual.



Coco não era perfeita ao “código” da moda do momento. Ela trouxe um novo “código”, projetou ela mesma nas roupas, de uma forma muito livre. Mostrou sua parte comunicativa de si mesma através do que realmente era e isso não é uma coisa fácil, por isso que hoje podemos contar com a ajuda de profissionais chamados consultores de imagem.

Nova aparência, novo estilo, novo comportamento. Mais tarde, é rica, independente e não casa por opção. Traz um novo arquétipo feminino, uma espécie de Carrie Bradshaw (Sex and the City) dos anos 20.



Coco Chanel entendeu que as pessoas queriam comprar um sentido e não roupas. Esse sentido era o novo, o que ainda está frio.

Coco Chanel era cool.

*Anamaria Légori é publicitária e trabalhou por vários anos nas áreas de criação e design gráfico. Dando uma pausa às “causas publicitárias”, lançou a marca Legori Bolsas, sendo a responsável pela criação dos modelos e escolha dos tecidos. Hoje faz pós-graduação em Moda na Università di Bologna, na Itália. Na área da moda, tem focado seu trabalho em consultoria e pesquisa de tendências.

Saiba mais em: http://fashionzzz.com/
Igor Pereira

Pior do que a rima pobre do título é o filme de Aluizio Abranches. Do Começo ao Fim é (imaginem a ‘criativa’ piada) do começo ao fim constragedor. A obra conta a história de dois irmãos de mesma mãe e pais diferentes que, de tão íntimos, acabam investido suas vidas em uma relação incestuosa.


Prato cheio de controvérsias para uma grande história, não? Não foi o caso. O filme é tão brocha quanto os ticos dos irmãos que se tocam numa “luta de espadas” – sim, tem essa cena! Não há conflito, não há briga. A família dos rapazes, saída direto de uma propaganda de margarina ou comercial do Zaffari, aceita e apóia a relação. Na rua, um Rio de Janeiro de Olímpiada, limpo, civilizado, os rapazes não são discretos e não sofrem preconceito. E isso não suscita qualquer discussão mais importante sobre a homessexualidade. Só se percebe o homossexualismo.


E a crítica não leva em conta o retrato, mesmo que inverossímil, da homossexualidade. Apenas o mau cinema. Quer ver um bom filme sobre gays? Procure pelo curta Café com Leite no YouTube.


São cerca de dois milhões de Reais e o esforço de vários atores, como Júlia Lemmertz e o péssimo Fábio Assunção, empregados em uma peça para satisfazer o ego de Abranches, que claramente quis mostrar que homossexuais podem nascer de famlias perfeitas – o que é uma distorção, eles, em geral, nascem em famílias normais. Há também cenas de sexo gratuitas e todos os clichês héteros traduzidos para o mundo gay. Tudo permeado pela pior jornada de André Abujamra nas trilhas sonoras. No final, o diretor dedica a bizarra realização aos pais (vergonha alheia). Um filme para nunca ser visto!


Ficha Técnica:
Gênero: Drama
Duração: 90 min.
Origem: Brasil
Estréia 27 de Novembro de 2009
Direção: Aluizio Abranches
Roteiro: Aluizio Abranches
Produção: Downtown Filmes
Censura: 18 anos
Ano: 2009
Francisco Cadaval

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Quando Zack Snyder, mesmo diretor de 300, aceitou o desafio de adaptar para o cinema, a cultuada série de história em quadrinhos, Watchmen, escrita por Alan Moore e ilustrada por Dave Gibbons, sabia que o caminho seria longo e as críticas seriam muitas. Afinal, além de contar com o conservadorismo dos fãs, teria que compilar em pouco mais de duas horas e meia, a séria que originalmente saiu em doze edições mensais pela editora estadunidense DC Comics, entre 1986 e 1987.
Responsável pela consolidação do gênero graphic novel (ou “romance visual”), Watchmen é uma trama que se passa em um “Estados Unidos fictício”, do ano de 1985, onde Richard Nixon está em seu terceiro mandato como Presidente e gere um país, vitorioso na guerra do Vietnam, porém mergulhado nos temores da “guerra fria”.
Watchmen é um filme envolvente com elementos de linguagem bem constituídos, e ultrapassa o clichê dos filmes de “Super-herós” a medida que apresenta além de ação e romance, elementos políticos complexos e um forte apelo dramático.
Quem espera que o enredo dos quadrinhos tenha tido uma simples transposição para a tela, ficará decepcionado, pois Snyder passa ao largo de momentos importantes da história original.
Estranho o fato de filmes de argumento pobre como é o caso de “Quarteto Fantástico” terem merecido continuação e Watchman ter ficado apenas em uma película. Na minha opinião deste poderiam ter sido feito dois ou três longas, aproveitando toda a riqueza de idéias de Moore.
Vale a pena ver, e mesmo quem não é fã da série, terá uma grata surpresa em relação aos bons diálogos e a maturidade visual do filme.
Você pode encontrar o DVD de Watchmen no Vídeo Bar, Lima e Silva 449.

Igor Pereira

O poder de uma música. Percussão que contagia, vocal cativante, uma viola que toca o coração e trumpetes que dão vontade de declarar um amor escondido. Tudo isso está em Postcards of Italy, que faz parte do CD The Gulag Orkestar do BEIRUT.
O álbum foi lançado em 2006 mas só agora chega ao Brasil. E como compensação pelo atraso, vem em formato duplo, com o EP Lon Gisland, de 2007 – disco da famosa Elephant Gun, tema da minissérie Capitu. Uma das poucas coisas boas que houve na TV nos últimos anos e que trouxe o Beirut à algum nível de consciência dos brasileiros.
Gulag Orkestar é um disco daqueles que parecem que não foram gravados em estúdio. Uma vez vi um vídeo da banda, em que eles tocavam caminhando, depois entravam num pub borocohô e avivavam o lugar. Pois o clima do Cd é este. Ótimo! Mas é sempre este. E pode cansar.
O Beirut nasceu da ideia de Zach Condon, multi-instrumentista e único compositor da banda e que, na época da gravação de Gulag… tinha apenas 23 anos. Explicado porque a ideia, mesmo ótima, se esgota.
Tem polca, melancolia, música cigana e coisas que parecem compostas por um Gogol Bordello triste. Mesmo com tudo isso, o que arrebata o ouvinte é Lon Gisland e suas cinco músicas. O EP ganha por aproveitamento contra as 11 faixas de Gulag… E tem uma música mais poderosa do que a Postcards of Italy. A infalível Elephant Gun. Uma melodia perfeita que dá mais do que vontade de declarar o amor escondido. Faz declarar. E faz ser aceito.