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Francisco Cadaval

Por Carina Corrêa da Silva*
Vivemos em tempos em que já não sabemos identificar a origem e a autoria de manifestações que nos influenciam diretamente no cotidiano, como a moda e a música, por exemplo. É a era da mistura, da cópia descarada ou de uma cópia modificada a nosso modo, para ficar com ‘a nossa cara’.
Buscamos nossas influências e a nossa distração naquilo que nos dá mais prazer, independentemente da origem. Ouvimos uma música cem vezes, sem conhecer o trabalho da banda que está por trás dessa música, sem saber o nome de nenhum componente da banda! O que vale é o prazer imediato, enquanto a busca do criador fica fora de questão.
E essa satisfação flutuante no aqui-agora, sem o peso das referências é uma das marcas da nossa forma de viver.
O sobrenome, que é a marca simbólica da nossa descendência que herdamos de nossos pais, já não é mais informação essencial para nos relacionarmos com alguém. Nossos pais e avós perguntam como é o sobrenome daquele nosso amigo, pois essa informação é valiosa para eles, e às vezes até procuram um parentesco. Mas para nós o passado e a origem dão lugar ao presente e as sensações. O que é relevante é o que esse amigo me faz sentir quando estou com ele, as coisas que fazemos juntos, se ele é divertido, se é inteligente, se usa um tênis legal, se leu aquele livro que eu amei, me mostrou uma banda nova…
Na melhor das hipóteses vivemos o presente com toda a sua multiplicidade descompromissada e gozamos a vida com os sentidos que conseguimos dispor e era isso, sem mais delongas! Nos apropriamos do que mais nos agrada e assim vamos nos construindo e reconstruindo em uma subjetividade que não cessa de se transformar. Fazemos a nossa mistura sem consultar a receita!

*psicóloga clínica.

Francisco Cadaval

O tempo das Tribos está aí. Se a paisagem da década de quarenta trazia de forma garantida ternos e chapéus marrons e pretos, mulheres com vestidos rodados e cabelos armados de maneira a intrigar a física. A contemporaneidade nos sugere o diverso. A aldeia ficou pequena para o desejo de todos os índios e a sociedade se segmentou em diversas tribos capazes de explorar e criar novos espaços e ditar tendências. Tal desenvolvimento influenciou tanto os mercados de moda quanto os de música e a elaboração de produtos que vinculem uma coisa na outra se tornou inevitável.

Músicos conhecidos do grande público e idolatrados por seus fãs perceberam que associar suas marcas musicais a roupas, seria, além de lucrativo, uma excelente estratégia de marketing pessoal. O mais interessante desse processo, é que são justamente os artistas mais engajados em criar uma imagem contestadora e subversiva que estão ditando moda nas passarelas mundo afora.

Na etimologia, a palavra moda é originária do Francês mode, e representa o uso, hábito ou estilo geralmente aceito pelo meio em que o indivíduo está associado. Ela está relacionada a evolução da burguesia ao poder econômico, favorecendo o desejo de reconhecimento social e ao mesmo tempo as crescentes tendências de imitação da nobreza. Não é por nada que geralmente está ligada a futilidade e a razões de consumo mais frívolas.

Músicos de origens musicais contestadoras, como o metal, Rap e Rock encabeçam a lista dos mais bem sucedidos. A Rocawear, marca do rapper Jay-Z, tem faturamento anual médio de cerca de 700 milhões de dólares. No Brasil Igor Cavalera, Marcelo D2 e Chorão já garantiram seu espaço.
Recentemente Liam Gallagher fez o lançamento mundial da Pretty Green, com direito a promoção isentando taxa de entrega e forte inserção na mídia.

A título de curiosidade, o rapper norte-americano Snoop Dogg desde 2007 assina a marca de roupas para cachorro The Snoop Dogg Line.

A lista de músicos/estilistas é longa. Aí vai uma pequena amostra.

Madonna
Matt Sorum, ex-baterista do Guns N’ Roses e atual Velvet Revolver
Ronnie Wood, guitarrista dos Rolling Stones
Albert Hammond Jr, guitarrista dos Strokes
Lenny Kravitz